sexta-feira, janeiro 26, 2007

o PS e o aborto clandestino

prática de aborto clandestino confessada em entrevista ao DN por ex-deputada e eurodeputada eleita pelo PS


Francisco Almeida Leite
«Ao DN, a ex-deputada e ex-eurodeputada do PS mostra-se descontente com a actual lei, que data de 1984 [...]
Muito crítica em relação à situação actual, Maria Belo garante que "a hipocrisia está toda no grande negócio das clínicas clandestinas". E faz revelações: "Sei de clínicas em Lisboa onde se fazem abortos e até se contrataram médicos espanhóis porque alguns portugueses invocaram objecção de consciência." Clínicas essas que "levam o dobro do que se paga em Espanha". [...]

Lembrando que a sua preocupação vem muito de trás, Maria Belo conta ao Diário de Notícias como em 1976 recebeu especialistas franceses que ajudaram a constituir um grupo em Almada que dava consultas de contracepção, mas também fazia abortos.

"Ocupámos uma casa na Cova da Piedade, começámos por dar consultas e apareciam-nos muitas mulheres para fazer abortos", revela. Segundo a ex-deputada socialista, esse grupo de estrangeiros chegou a fazer dois abortos por mês "ao preço de 250 escudos cada um", quantia que servia sobretudo "para as despesas de material".

"Como não podíamos fazer todos os abortos que apareciam, foram-se formando outros grupos", adianta Maria Belo, que garante que a prática funcionou durante cinco anos, até 1981. "Nós fazíamos os abortos por aspiração às mulheres. Eram gratuitos, mas havia esse custo de material de cerca de 250 escudos. Como havia muitos, às tantas ensinámos outras pessoas que construíram os seus grupos", refere a grã-mestre da Grande Loja Maçónica Feminina.

A psicanalista adianta que nunca teve problemas com as autoridades, excepto quando provocou um aborto a uma amiga. "Uma vez fiz a uma amiga minha um aborto em Alfama, com os meios que tinha, só que a situação estava complicada. Por isso provoquei-lhe o aborto e depois deixei-a nas urgências da Maternidade Magalhães Coutinho, que já não existe. Eles lá é que perguntaram quem tinha feito aquilo, ela não disse", conta a ex-deputada. »

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Quando falamos em abortos num "vão de escada" podemos estar a falar de uma ex-deputada da nação e ex-eurodeputada? Vem então de tão longe a consciência pesada do Partido Socialista nesta questão do aborto?...

À atenção do Ministèrio Público:

Há que averiguar onde estão estas supostas clínicas espanholas a fazer abortos ilegalmente em Lisboa de que afirmou ter conhecimento a D.ra Maria Belo. Parece que a lei existente está a ser transgredida, se for verdade que estas precisam de contratar médicos espanhóis para operações que os médicos portugueses se recusam a fazer por "objecção de consciência" e, presumivelmente, por constituirem violações da Lei em vigor. Se há médicos espanhóis a praticar crimes em território português, há que fazer aplicar Lei Portuguesa. Ou será que em Lisboa vale a Lei Espanhola? Primeira coisa a fazer: chamar a prestar declarações quem afirma ter essas informações. Presumimos que o estatuto de Grã-Mestre da Maçonaria Feminina não confira qualquer direito de dispensa ou imunidade.


cf. também:

http://www.medicospelaescolha.pt/node/116

«

«Médicos pela Escolha rejeitam que haja síndroma pós-aborto»

[...] A psicanalista Maria Belo mostrou-se impiedosa: "Não há ninguém em Portugal da classe média/média-alta que tenha um filho sem querer. Há todas as condições para fazer um aborto em Portugal. É só ir às clínicas no centro de Lisboa, propriedade de alguns médicos objectores de consciência, nas quais se fazem abortos pelo dobro do preço do que se pratica em Espanha."»

2 comentários:

Anónimo disse...
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