terça-feira, fevereiro 27, 2007
in dubio pro vita
Não se pode atirar um piano de uma janela sobre um passeio onde podem estar a passar pessoas. O acto em si já é crime pelo risco que necessariamente comporta. Se o resultado for efectivamente a morte ou ferimento de algum transeunte, então há homicídio com dolo eventual. Parece que a mesma razão servirá para avaliar eticamente o "dolo eventual" duma pílula abortiva, seja ela o "plan B", o mifepristone ou o levonogestrel (LNG).
cf. também:
http://ec.princeton.edu/questions/ecwork.html
«[...] Studies show that both types of emergency contraceptive pills can prevent or delay ovulation (the time in your cycle when your ovaries release an egg). If you take emergency contraceptive pills before fertilization (the point when the egg and sperm meet), they may interfere with the process of fertilizing the egg, for instance making it harder for the egg or the sperm to travel (and meet up) in your reproductive tract. It’s also possible that emergency contraceptive pills work after fertilization, making it impossible for the fertilized egg to implant in your uterus; researchers will probably never be able to prove for certain whether or not emergency contraceptive pills have an effect after fertilization.»
http://ec.princeton.edu/questions/ecnotru.html
The abortion pill, also known as mifepristone or RU-486 ("medical abortion" or "medication abortion"), is a completely different drug from Plan B and the other brands of birth control pills that you can use for emergency contraception. Emergency contraceptive pills (also called “morning after pills" or "day after pills") contain common female hormones, either progestin alone or progestin combined with estrogen. These hormones prevent pregnancy, they do not cause an abortion; for more about how Plan B works, read this article in the Journal of the American Medical Association.
quinta-feira, fevereiro 15, 2007
mensagens de apoio e apelo à coragem lúcida do Sr. Presidente da República
Quem quiser escrever ao Sr. Presidente, pode ir directamente a este endereço, preencher os seus dados e manifestar o seu apoio no campo Mensagem (limite de 10.000 caracteres). No campo “motivo” há duas opções um pouco redutoras: escolham a que lhes parecer melhor (esclarecimento / informação).
http://www.presidencia.pt/?action=3
A mensagem deve ser personalizada com as palavras e estilo de cada um. Sem prejuízo, sugiro que incluam os seguintes tópicos:
« Oposição ao projecto de “aborto na hora” do Presidente do Grupo Parlamentar do PS, Alberto Martins!
Apoio às declarações do Sr. Presidente avisando que não prescindia dos seus poderes, exigindo uma solução moderada e um consenso alargado;
Rejeição das declarações de Alberto Martins, propondo-se deixar cair o aconselhamento obrigatório e o prazo de reflexão, contra o que o “sim” andou a prometer durante toda a campanha, garantindo aos portugueses que com a pergunta a referendar "o aborto não seria liberalizado e, por isso, seria exigido "aconselhamento e acompanhamento às mulheres, a fixar na regulamentação da lei" »
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(transcrição do meu apelo e mensagem de apoio ao Sr. Presidente)
Sr. Presidente,
Apoio inteiramente a declaração/aviso de que "não abdica de qualquer dos seus poderes constitucionais. E faço um apelo para que não permita que o P.S. abuse de um mandato que não recebeu do povo português. Nesse sentido, permito-me dar a conhecer a V. Ex.ciª um breve texto que publiquei ontem mesmo no meu blog pró-Vida, cujo endereço é o seguinte:
http://vida-por-vida.blogspot.com/2007/02/aborto-na-hora.html
Muito atentamente
De V. Ex.ª
Luís Botelho Ribeiro
Presidência da República Portuguesa (2007-02-15 18:08:03)
aborto na hora...
...Esquecendo tudo o que foi prometido durante a campanha eleitoral para o referendo e reiterado na própria noite do escrutínio pelo Sr. Primeiro Ministro que disse que haveria obrigatoriamente lugar a uma consulta de aconselhamento e um período de reflexão?
Para quem esqueceu ou já duvida se ouviu bem o que disse o seu Primeiro-Ministro, basta ler a versão on-line do DN de 12 de Fevereiro:
http://dn.sapo.pt/2007/02/12/tema/socrates_recusa_vincularse_prazos_pa.html
«a legislação irá garantidamente prever um período de reflexão e sistemas de aconselhamento para quem quiser abortar»
Quem, porém, ler as notícias de 13 de Fevereiro (sim, um dia depois da edição o D.N. acima) só pode ficar atónito ao verificar como, com pouquíssimo tempo transcorrido e ainda menos vergonha, se está a preparar mais uma monumental traição eleitoral, na linha de outras já tragicamente famosas "Sócrates compromete-se a não subir impostos"
vd. http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=12&id_news=262781
"O líder parlamentar socialista, Alberto Martins, afirmou esta terça-feira que não haverá aconselhamento obrigatório na lei para as mulheres que queiram abortar até às dez semanas, porque isso seria uma imposição «à revelia do resultado do referendo». "
Mas será que estes políticos pensam que nós, e também o Sr. Presidente da República, esquecemos ou ignoramos que o resultado do referendo foi não vinculativo? E já esqueceram dum dia para o outro o que milhares de vezes repetiram os seus emissários nas centenas de debates organizados de norte a sul do país? Sempre nos responderam eles que não estávamos perante um "abrir as portas à balda" porque haveria aconselhamento e período de reflexão, aliás conforme constava da proposta de Lei 19/X do partido socialista, já aprovada pela A.R. na generalidade.
O orgulho de Alberto Martins: «ninguém fará a lei por nós».
«Não haverá naturalmente aconselhamentos obrigatórios, à revelia do que foi o mandato popular»,
O mandato popular não existe na medida em que a maioria dos portugueses optou por não o conferir: dos 8,7 milhões de votantes inscritos, dos 10 milhões que somos, apenas 2.238.053aprovaram a liberalização do aborto, menos de um quarto portanto!
A pérola final do discurso de Alberto Martins: «uma vitória do progresso e da modernidade, uma vitória do grupo parlamentar» durante a campanha, apreensivos com a recuperação do "não", repetiram até à exaustão que esta não era uma questão político-partidária, mas sim uma "questão de consciência individual". Passado o susto, com o alívio chegou também a fanfarronada politiqueira do mais abjecto aproveitamento político - não foi só uma vitória do PS ou de Sócrates, mas até uma vitória do grupo parlamentar do PS... isto como se na hora de votar SIM ou NÃO, alguém além dele próprio tivesse em conta o "ponderoso" argumento de estar a ajudar ou prejudicar o "grupo parlamentar do PS". A simples ponderação desta hipótese seria já uma afronta à postura cívica dos portugueses; o seu anúncio triunfal revela em toda a sua extensão o profundo desprezo de alguns dos nossos actuais líderes políticos pela Democracia e pelos Cidadãos que, pacientemente mas em cada vez menor número, continuam a elegê-los, à falta de alternativas melhores.
Nós que votámos e o Sr. Presidente da República que será chamado a assinar a Lei da A.R. estivemos muito atentos a tudo o que foi dito e escrito durante os últimos meses. E temos memória. Não sendo vinculativo, o referendo não impõe que o desvario da Lei acompanhe o desvario da pergunta num referendo, em si mesmo tão enviezado que até o logotipo escolhido era praticamente o do Bloco de Esquerda (organização pública e notoriamente alinhada pelo "SIM"). Esperamos todos, por conseguinte, que - no mínimo - a Lei não vá mais longe que Projecto de lei nº 19/X do Partido Socialista, aprovado na generalidade em 20 de Maio de 2005. Será mesmo desejável e recomendável que um consenso de dois terços da Assembleia da república, envolvendo PS e PSD, garanta uma solução que respeite o art.º 24 da Constituição - caso contrário, o Sr. Presidente da nossa República certamente cumprirá o seu dever...
... obviamente vetando!
VEJA AS DIFERENÇAS...
sexta-feira, janeiro 26, 2007
o PS e o aborto clandestino
http://dn.sapo.pt/2007/01/26/nacional/mario_soares_aparece_a_cinco_dias_re.html
Muito crítica em relação à situação actual, Maria Belo garante que "a hipocrisia está toda no grande negócio das clínicas clandestinas". E faz revelações: "Sei de clínicas em Lisboa onde se fazem abortos e até se contrataram médicos espanhóis porque alguns portugueses invocaram objecção de consciência." Clínicas essas que "levam o dobro do que se paga em Espanha". [...]
"Ocupámos uma casa na Cova da Piedade, começámos por dar consultas e apareciam-nos muitas mulheres para fazer abortos", revela. Segundo a ex-deputada socialista, esse grupo de estrangeiros chegou a fazer dois abortos por mês "ao preço de 250 escudos cada um", quantia que servia sobretudo "para as despesas de material".
"Como não podíamos fazer todos os abortos que apareciam, foram-se formando outros grupos", adianta Maria Belo, que garante que a prática funcionou durante cinco anos, até 1981. "Nós fazíamos os abortos por aspiração às mulheres. Eram gratuitos, mas havia esse custo de material de cerca de 250 escudos. Como havia muitos, às tantas ensinámos outras pessoas que construíram os seus grupos", refere a grã-mestre da Grande Loja Maçónica Feminina.
A psicanalista adianta que nunca teve problemas com as autoridades, excepto quando provocou um aborto a uma amiga. "Uma vez fiz a uma amiga minha um aborto em Alfama, com os meios que tinha, só que a situação estava complicada. Por isso provoquei-lhe o aborto e depois deixei-a nas urgências da Maternidade Magalhães Coutinho, que já não existe. Eles lá é que perguntaram quem tinha feito aquilo, ela não disse", conta a ex-deputada. »
---- § ----
Quando falamos em abortos num "vão de escada" podemos estar a falar de uma ex-deputada da nação e ex-eurodeputada? Vem então de tão longe a consciência pesada do Partido Socialista nesta questão do aborto?...
À atenção do Ministèrio Público:
Há que averiguar onde estão estas supostas clínicas espanholas a fazer abortos ilegalmente em Lisboa de que afirmou ter conhecimento a D.ra Maria Belo. Parece que a lei existente está a ser transgredida, se for verdade que estas precisam de contratar médicos espanhóis para operações que os médicos portugueses se recusam a fazer por "objecção de consciência" e, presumivelmente, por constituirem violações da Lei em vigor. Se há médicos espanhóis a praticar crimes em território português, há que fazer aplicar Lei Portuguesa. Ou será que em Lisboa vale a Lei Espanhola? Primeira coisa a fazer: chamar a prestar declarações quem afirma ter essas informações. Presumimos que o estatuto de Grã-Mestre da Maçonaria Feminina não confira qualquer direito de dispensa ou imunidade.
cf. também:
http://www.medicospelaescolha.pt/node/116
«
«Médicos pela Escolha rejeitam que haja síndroma pós-aborto»
[...] A psicanalista Maria Belo mostrou-se impiedosa: "Não há ninguém em Portugal da classe média/média-alta que tenha um filho sem querer. Há todas as condições para fazer um aborto em Portugal. É só ir às clínicas no centro de Lisboa, propriedade de alguns médicos objectores de consciência, nas quais se fazem abortos pelo dobro do preço do que se pratica em Espanha."»Debate sobre o referendo ao aborto - Penafiel 20.01.2007
(foto de Napoleão Monteiro)O referendo sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) foi tema de um debate que reuniu, ontem à noite, na Biblioteca Municipal de Penafiel, a eurodeputada Ilda Figueiredo (da plataforma do Sim) e o professor universitário Luís Filipe Botelho Ribeiro (do movimento cívico “Minho com Vida”). A discussão decorreu cordialmente, com a defesa de pontos de vista divergentes, até ao momento em que, perante a plateia, o defensor do Não mostrou a miniatura de um automóvel comparando-a ao tamanho de um embrião de dez semanas.
A militante comunista acredita que a despenalização do crime vai acabar com os abortos clandestinos feitos no nosso país e preconiza que a melhor forma de se evitar a IVG é implementar nas escolas a Educação Sexual e o Planeamento Familiar. A triste realidade do aborto clandestino envergonha, afirma a eurodeputada, lembrando que Portugal tem a maior taxa de adolescentes grávidas. E porque “somos o único país europeu onde se fazem julgamentos e condenações a mulheres que abortam”, Ilda Figueiredo apelou ao voto no SIM, no referendo do dia 11 de Fevereiro.
O mandatário do movimento cívico pelo Não argumentou que, segundo um estudo a Associação de Planeamento Familiar (APF) 87 por cento de mulheres abortaram contra a vontade. “A vergonha é a falta de apoio à maternidade em Portugal. Há uma enorme hipocrisia sobre esta matéria”, alegou, insistindo na ideia de que “um embrião com dez semanas é um ser humano”.
Para explicar a tese, Luís Ribeiro mostrou a miniatura de um automóvel comparando o tamanho do embrião ao tamanho daquele objecto, irritando Ilda Figueiredo. “Esta comparação é infeliz e lamento que compare um automóvel a um embrião. Tenho três filhos e três netos e sei muito bem do que falo e não estou aqui a falar de automóveis”, afirmou.
O defensor do Não explicou que não pretendeu sequer estabelecer comparações, mas avisou que “dá jeito para eliminar uma vida, não considerar um embrião um ser humano”. E numa segunda analogia, comparou o referendo e a possibilidade de o aborto ser despenalizado “à broca do metalúrgico Jerónimo” [Jerónimo de Sousa líder do PCP] que “começa por furar um milímetro e quando nos aperceberemos temos um buraco enorme…” . “O aborto clandestino não acabará com a despenalização”, concluiu.
referências na imprensa:
http://www.jornalaberto.com/template_permalink.asp?id=1254
reportagem na TV Vale do Sousa:
http://www.valedosousa.tv/ -> Penafiel (destaque)
PS - a propósito de carros e carrinhos vd.
"A Ilda Figueiredo é perigosa para a segurança dos automobilistas."
governo promove o SIM...

...plex
Será inocente aquele realce do "sim" a negrito?
Se a intenção do negrito fosse apenas a de realçar uma referência ao "programa de simplificação administrativa e legislativa", o negrito certamente realçaria a parte comum com a palavra "simplificação". Teríamos então "simplex".
Mas se a intenção fosse, como cremos ser o caso, o envio de uma mensagem subliminar de apelo ao "SIM" no próximo referendo, então a opção seria pela forma que realmente aparece "simplex", realçando a ideia de "sim", de concordância... Sugestão subtil que dá muito jeito para a forma da pergunta do referendo "concorda com a despenalização... etc...?".
Politicamente, não pode ser acusada de inábil esta intenção de "colar" a ideia de "sim à despenalização da IVG" à simpática ideia de simplificação administrativa, particularmente agradável para um povo a braços com uma história secular de burocracia, complicacionismo administrativo e corrupção.
Agora não venham de lá com o argumento de que o programa simplex já remonta a 2006 e o logotipo "nada tem que ver com o referendo". Alguém duvida de que a ideia de voltar à carga com o "aborto a pedido" anda com eles desde a derrota de 1998?
o aborto e o abandono
A história é dramática mas real. Aconteceu em Braga um destes dias...
http://jn.sapo.pt/2007/01/26/norte/mulher_gravida_estava_morta_quase_do.html
Que alternativas tem a sociedade portuguesa para oferecer?
O movimento pró-Vida mostra o caminho:
os governantes portugueses e a solução final
Qualquer pessoa o pode descarregar indo ao endereço seguinte, procurando Portugal na coluna da esquerda por ordem alfabética, e clicando no nosso país.
http://www.un.org/esa/population/publications/abortion/profiles.htm
Logo na primeira página que aparece, sobo o título "REPRODUCTIVE HEALTH CONTEXT" pode ler-se o seguinte:
«Government view on fertility level: Too lowGovernment intervention concerning fertility level: No intervention
Os nossos governantes (de qualquer partido) consideravam e, pelos vistos, consideram ainda hoje que:
i) a taxa de natalidade/fertilidade está num nível muito baixo
ii) não existe qualquer iniciativa / intervenção governativa (que depende deles, em primeiro lugar) para inverter a situação;
iii) por outro lado é de apoiar directamente (comparticipar) o uso de contraceptivos - cujo efeito no incremento da natalidade não se vislumbra...
Agora, além disto, propõem-se ainda liberalizar o aborto às 10 semanas, comparticipá-lo e pagar tudo com as poupanças decorrentes do encerramento de escolas, maternidades e serviços de urgências por todo o país (apesar de casos recentes de 2 mortes em Odemira por falta de assistência durante quase 10 horas)
:. Em que classificação desejarão os nossos governantes ser incluídos? Irresponsáveis ou inconsequentes?
Ou então...
estão definitivamente apostados em exterminar a "raça" portuguesa! Será esta a "solução final" que nos reservam?
Se quisermos, seremos nós os cidadãos quem acabará por dar outro rumo à situação do nosso país já no próximo dia 11, votando "NÃO". Votando a pensar nos bebés que merecem nascer, nas mães que merecem o apoio do Estado e nos políticos que temos, ou antes, na cara com que irão ficar diante do nosso forte e definitivo "NÃO"!
quinta-feira, janeiro 25, 2007
world ranking of life-friendly countries
«Inspirados numa ideia [1] de Agostinho da Silva, propusemo-nos definir um indicador que traduzisse uma função de ponderação tendo em vista a hipotética “escolha de um país para nascer” por uma suposta “alma” em vias de (re)encarnar e racionalmente interessada em maximizar as suas chances de ser bem recebido, de sobreviver à gestação e com a respectiva mãe também viva. A partir de um tal indicador será então possível estabelecer um ranking de países "amigos da vida", com o qual os decisores políticos ou os cidadãos poderão ponderar previamente e a posteriori avaliar o impacto das suas decisões e escolhas políticas. O que a seguir se apresenta é a síntese dos primeiros passos de uma investigação a aprofundar no futuro.»
Para total abertura à crítica e discussão públicas, os documentos-base foram colocados num servidor cujo endereço se encontra a seguir. Os dados utilizados constam de um documento das Nações Unidas [2], tendo sido actualizadas as estimativas da taxa de aborto relativas a Portugal com base em dados estatísticos da população feminina e conclusões de um estudo da A.P.F. [3] suposto insuspeito de pretender favorecer a posição do "NÃO" no próximo referendo à liberalização do aborto até às 10 semanas.
Documentação:
Breve memória explicativa (formato Microsoft Word)
http://dei-s1.dei.uminho.pt/pessoas/ribeiro/lifefriendliness/WORLD_RANKING_OF_LIFE-FRIENDLY_COUNTRIES.doc
Apresentação (formato power-point)
http://dei-s1.dei.uminho.pt/pessoas/ribeiro/lifefriendliness/WORLD_RANKING_OF_LIFE-FRIENDLY_COUNTRIES.ppt
Referências:
[1] Agostinho da Silva, in “vida conversável”, ed. Assírio e Alvim, 2ª edição, 1998, pág. 16
[2] http://www.un.org/esa/population/publications/abt/fabttoc.htm
[3] http://www.apf.pt/activ/aborto_portugal.pdf
[4] http://www.ics.ul.pt/investiga/projectos/sitsoc/cap/0208.htm
[5] http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?div_id=291&id=755795
[6] http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=759443&div_id=291
Apêndice sobre processo de actualização dos valores estatísticos para Portugal:
Taxa_aborto_Portugal = (1861/0,345+906) /(2419493/1000) = 2,60
Valores considerados:
1861 - nº de mulheres atendidas no SNS por complicações com origem em aborto clandestino (2001)
34,5% - percentagem de mulheres que, perante complicações pós-aborto, recorreram ao SNS, segundo o relatório APF-Consulmark de Dezembro2006 publicado em http://www.apf.pt/activ/aborto_portugal.pdf
906 - número de abortos realizados no SNS em 2005 dentro das indicações previstas na lei http://dn.sapo.pt/2006/12/22/nacional/hospitais_publicos_duplicam_abortos_.html (reportando-se a relatórios do Ministério da Saúde)
2.419.493 - população feminina na faixa etária dos 15-49 em 2001 segundo www.ine.pt
1000 - o critério das Nações Unidas considera a taxa "por mil mulheres"
5,3 - Maternal Mortality Ratio segundo:
http://www.ics.ul.pt/investiga/projectos/sitsoc/cap/0208.htm
prioridades, civilização...
Ovos de cegonha 1 - Fetos humanos 0
Em Portugal é crime partir (abortar) ovos de cegonha (independentemente do número de semanas de gestação). Este link é sobre uma parente minha que foi condenada por ter derrubado ninhos com ovos de cegonha:
Prioridades governativas
No ano passado, o governo socialista fechou maternidades em zonas de interior, onde as taxas de natalidade são mais baixas e instituiu o pagamento de taxas moderadoras na saúde.
Entretanto, assistimos ao lançamento de uma vacina essencial no combate ao cancro no colo do útero – doença que mata 1 mulher por dia em Portugal –, sem que o Estado dê sinais de que pretende subsidiar a sua compra ou comparticipá-la, ainda que parcialmente. A vacina custa 480 euros.
Continua a existir uma vacina, Prevenar, contra a meningite, aconselhada por alguns pediatras e ministrada a bebés em 4 doses até perfazer um ano e meio de idade, a qual ascende a cerca de 300 euros e que não é objecto de qualquer comparticipação estatal. Refira-se que se estima que morram cerca de 500 crianças por ano devido a meningite.
É este mesmo Governo, que procede por um lado a cada vez mais cortes numa área tão sensível como é a saúde, que pretende financiar a prática de abortos no Serviço Nacional de Saúde ou, caso este não tenha meios para tal, em clínicas privadas. O Ministro diz que cada aborto custará ao Estado entre 350 e 700 euros.
Ficamos esclarecidos quanto às prioridades deste Governo, que privilegia a prática de abortos em detrimento de um combate sério a patologias graves.
Rui Castro 21 de Janeiro de 2007in http://www.assimnao.org/opinao.htm#opinao2
30 anos de loucura - 1 franceses - 0
O colectivo «30 ans: ça suffit» exige a anulação da lei, «grandemente responsável por 220.000 abortos feitos anualmente» em França, e «a penalização das pressões exercidas sobre as mulheres grávidas para que abortem»
in http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?div_id=&id=764334
CGTP pró-aborto 1 - CGTP contra o aumento da idade de reforma - 0
pró-aborto:
http://www.cgtp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=506&Itemid=106
http://www.spn.pt/?aba=27&cat=4&doc=1424&mid=115
pró-reformas:
http://www.rupturafer.org/greve_geral_out06.asp
Quando os sindicatos dos professores (a braços com o fecho das escolas e grave redução do número de alunos...) tomam posição a favor da liberalização da IVG até às 10 semanas, sentimo-nos perante.. um contra-senso. Será isto a cegueira ideológica? Avançar corajosamente para o precipício? Felizmente ainda se levantam algumas (poucas) vozes sensatas e avisadas...
http://www.spn.pt/?aba=30&mid=122&thr=3993
Resta-nos esperar pelo siso da "velha" maioria silenciosa...
segunda-feira, janeiro 22, 2007
caso do Sargento Luís Gomes e... o aborto

Mãe biológica da criança de cinco anos [...], Adidina Porto, finalmente falou, numa entrevista exclusiva ao 24horas.
Nunca pensou em abortar, «porque conheço as leis de Deus e da Bíblia. A mão de Deus pesa», e diz mesmo que não sabe se «o desígnio daquela menina não era mesmo fazer uma família feliz como aquela onde ela está agora».
in: http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=763804
cf. também: http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?div_id=&id=763002
----- § -----
Luís Vilas Boas, responsável pelo refúgio Aboim Ascensão em Faro, a propósito do caso da menina de 5 anos "sequestrada" pela mulher do sargento de Torres Novas, disse esta manhã (22.1.2007) no Fórum Antena1 mais ou menos o seguinte:
« a Justiça portuguesa tem de atender o Superior Interesse da criança. A criança tem direitos como nós, está completamente dependente e, especialmente por isso, precisa da Máxima Protecção da Lei, que a salvaguarde de situações graves (e que se arrastam como esta). Cito o Dr. Laborinho Lúcio: 'o Direito de Menores tem de deixar de ser um direito menor em Portugal'. »
Subscrevo inteiramente o que, com superior autoridade e "saber de experiências feito" na sua meritória obra assistencial, afirma Luís Vilas-Boas.
... Parece-me óbvio, além disso, que o argumento também vale para os nascituros e é, em si mesmo, uma forte declaração a favor da salvaguarda do "Superior Direito do Feto" contra a irresponsabilidade e discricionaridade (a pedido) dos adultos!
sexta-feira, janeiro 19, 2007
o grito
Como é possível que só hoje me chegue o grito de 1984?http://www.silentscream.org/video1.htm
Não podemos calar aquilo que vimos e ouvimos!...
Mas por que diabo a berraria do "sim" há-de envergonhar quem apresenta esta verdade, oferecida pela tecnologia, a quem tem o direito de a conhecer? Segundo o "sim", alguns terão o direito absoluto a escolher, a optar, mesmo sobre o sacrifício de milhões de pobres fetos humanos. Mas não temos o direito a saber a verdade do aborto, ou mesmo o dever de tomar consciência desta Humilhação , maior que qualquer outra, do feto indefeso?
The right to know...
Que cidadão português não reclamará, alguns tarde demais, o seu direito de conhecer este vídeo antes de no próximo dia 11 de Fevereiro se equivocar tragicamente votando "sim" ou abstendo-se?
Creio ser um dever da República apresentar objectivamente aos cidadãos o que é realmente um aborto. Se nos é imposta a obrigação cívica de votar sobre esta matéria, temos o direito de conhecer aquilo sobre que nos é pedida uma posição. Temos direito à informação segundo uma abordagem tão neutra, objectiva e científica quanto no-lo permitam a ciência e tecnologia actuais, e vendo escrupulosamente respeitadas todas as obrigações de isenção que impendem sobre qualquer serviço público de televisão.
E se isso não acontecer, que é o mais provável com a televisão que temos, quem nos impede enfim de mostrar a verdade (apenas) num dos nossos tempos de antena, previamente bem anunciado e prevenidas as pessoas ?
(também em português do Brasil)
Dentre a esfarrapada "crítica" do inimigo (a Planned Parenthood), esta pérola
«[...] As soon as it was released, Planned Parenthood recognized that The Silent Scream would be used to propagate harmful myths that could endanger women's health and the constitutional right to choose abortion and jeopardize the lives and careers of abortion providers.»
Quem pode ter pena de estragar as hediondas carreiras dos abortistas, e não sentir nada pela desgraçada sorte dos milhões de fetos assassinados e humilhados por eles? Tribunal Penal Internacional com eles sem dó nem piedade - fim imediato da imunidade para os cidadãos dos E.U.A.
Pode um filme sem efeitos especiais ser acusado de "propagar mitos"?
Mas quando se atenta nas alegações, estas apenas tentam fazer a crítica a algumas palavras do Dr. Nathanson - contra os factos (e as imagens) não há argumentos!
quarta-feira, janeiro 17, 2007
aqueles que ninguém quis amar
Por: P.e Nuno Serras Pereira
Em 1998, Luz de Vasconcellos e Souza convidou-me para um café, depois de jantar, em casa de seus pais. Para além da Luz, estavam sua mãe, Sofia de Melo Breyner Andresen, Pedro Líbano Monteiro (não confundir com o antigo quadro do BCP, de quem é parente) e parece-me que também um jovem, de que agora não recordo nem a fisionomia nem o nome.
Conversou-se sobre assuntos vários entre os quais, surgiu naturalmente, pela sua proximidade, o do referendo sobre a liberalização do aborto. Sofia também esse tema com a simplicidade e profundidade luminosas que lhe eram habituais. De tudo o que lhe ouvi, o que mais me marcou foi uma pequena partilha que culminou numa breve sugestão. Disse:
“Uma vez mostraram-me fotografias de fetos abortados. O que mais me impressionou foi o seu ar de humilhação (ou de humilhados). Espalhem imagens dessas com a frase:
«aqueles que ninguém quis amar»”.
Já não recordo, ao certo, quais as razões ou circunstâncias que nos levaram a não concretizar a proposta que brotou do seu desabafo. Mas ela gravou-se-me de tal sorte na mente que ainda hoje a recordo como se me tivesse sido feita há 10 minutos.
De facto, a humilhação não consiste em ser julgado por ter prevaricado, por ter cometido um crime, a grande humilhação, a maior das humilhações é não ser reconhecido e respeitado por aquilo que se é, um ser humano, uma pessoa; é ser aniquilado, na fase de maior vulnerabilidade, pela decisão despótica de quem o gerou; é ser vítima da renúncia geral à sua protecção e da conjura comum para o destruir.
11. 01. 2007
sexta-feira, janeiro 12, 2007
um consenso possível? uma possibilidade nova?
1) o aborto em si mesmo é uma coisa má que não deve ser promovida mas evitada;
2) se ninguém quer obrigar as mulheres que conceberam a transportar durante nove meses um feto cuja criação e educação não pretendem assumir depois;
3) os rápidos progressos da ciência talvez a um prazo não muito longo nps dêm a possibilidade de ter máquinas que criem condições bioquimicamente "semelhantes" às de um útero materno (e com a vantagem de não passar sentimentos negativos, como será certamente o caso duma mulher que se decidiu a abortar)
Então parece razoável supôr que uma solução consensual poderá residir no rápido desenvolvimento desse "útero artificial". Afinal já é hoje um dado adquirido o uso da proveta concepcional já disponível há décadas para tantos casais com problemas de fertilidade; não inspira reservas éticas a ninguém. Então uma mulher/casal que não deseje assumir a criação do filho, poderá, em vez de abortar - o que violaria o princípio constitucional da inviolabilidade da vida humana - confia-o ao estado que realizaria uma operação não de abortamento mas de salvamento do feto, garantindo todos os cuidados com a incubadora e a entrega a um casal de adopção (que é coisa que não falta) na altura certa. O mesmo Estado garantiria também que os pais biológicos nada mais saberiam do destino do seu "filho", através de mecanismos de reserva da identidade como os que hoje já hoje existempara outras situações. Os pais biológicos podriam, assim, viver "como se" não tivessem gerado um filho mas com a situação nova face à acual de não carregarem o peso de ter terminado uma vida humana, causa principal, como se sabe, do trauma pós-aborto.
Fica proposto a discussão pública!
- parece que neste momento um bebé prematuro já pode ser criado numa incubadora a partir das vinte e poucas semanas. É isto exacto?
- que dizem os fabricantes de incubadoras sobre as perspectivas de estender os limites de viabilização de fetos incubados? Daqui a quanto tempo teremos uma incubadora para um feto com, por exemplo, 17 semanas?
- Existirá algum problema técnico inultrapassável com a operação em si (cesariana) de extracção do feto da barriga da mãe natural e rápida colocação na incubadora?
nota final: em 2002 apresentei esta possibilidade (ainda virtual) ao Prof. Francisco Louçã num debate público realizado na Universidade Nova de Lisboa. Este recusou-se a admitir sequer a sua discussão em face da sua alegada extemporaneidade técnica. Supondo que qualquer homem possui a capacidade de raciocínio em abstracto, juntei mais este dado às "ganas" com que defende a liberalização do aborto para... questionar a humanidade do "monte de células" que responde pelo nome acima. Afinal por que era tão importante em 2002 para o Senhor Francisco Louçã que o feto fosse mesmo morto, se o que o etava a preocupar era exclusivamente a mulher e o tribunal? Nesta solução a mulher fica só com o seu corpo e, porque não abortou, está automaticamente livre do "calvário dos tribunais".
sons da rua...
uma senhora de idade para um grupo de jovens:
« vós não estais bem informadas? Não sabeis da pílula, do preservativo, da pílula do dia seguinte, etc.? Sabeis e não usais? Então que quereis mais?»
«estão outros países já a tentar saír a tanto custo do vale da Morte e Portugal há-de lá entrar? Não aprendemos nada com os erros dos outros?»
«não ao sim, sim ao não!»
SIMzices - teologia abortista 2
Finalmente percebi donde diacho vêm as 10 semanas de prazo para o aborto livre. Teve que ser um abortista a explicar-me, que eu sozinho realmente não era capaz de chegar lá. Pois bem, o brilhante "teólogo abortista" a quem devo finalmente a iniciação no terrível "segredo das 10 semanas" mostrou-me um velho codex de secretíssimo priorado gnóstico-abortista cujo nome - Xi-pÔxa - me fez jurar nunca revelar.
Estava lá tudo!
Até estou um pouco vaidoso por ser eu a vir revelar ao mundo um segredo tão bem guardado durante séculos. Pena ter de ser assim pela internet, tão sem pompa nem circunstância. Certo é que tenho de me apressar, não vão os sicários do priorado darem comigo antes...
Então cá vai:
Parece que é exactamente à meia-noite da noite em que o embrião faz 10 semanas que... (no tempo em que foi escrito o codex toda a gente trabalhava de dia e concebia à meia-noite; o codex infelizmente não explica se ainda hoje a coisa se dà invariavelmente à meia-noite, posto que as modernas concepções opontam unanimente no sentido de que.. qualquer hora é boa para a "concepção")
continuando...
...é exacta precisamente a essa hora, à meia-noite bien-entendu, que a alma entra no "monte amorfo de células" que até aí era um simples embrião justamente abortável sem apelo, uma vez que não apresentava qualquer sinal de personalidade humana, por lhe faltar a alma! A partir das 10 semanas, com a alma humana e o extenso rol de virtudes e vícios que se lhe conhece, devidamente instalados no corpo, o embrião passa a poder requerer Bilhete de Identidade em qualquer loja do cidadão (recorrendo ao Simplex) mas não pela internet, para não perder imediatamente a inocência. Passa igualmente a poder sair à noite com os amigos, sem recear quaisquer problemas com a polícia. Segundo a nova formulação dos mais especializados... hã... bem... especialistas em saúde reprodutiva, os pais devem começar a ler-lhe à noite pequenos textos introdutórios de educação sexual, permitindo assim que os conteúdos curriculares desta disciplina no ensino básico possam ser mais desenvolvidos e aprofundados do que hoje em dia, especialmente na componente prática, cuja comparação com os países mais avançados da Europa tanto nos envergonha.
Oh, virá ainda longe a redentora aurora do glorioso dia em que, como a avançadíssima Inglaterra, teremos o aborto livre até às 27 semanas ou mais? Que vergonha a nossa quando nos cruzamos por aí com turistas ingleses, todos ufanos das suas 27 semanas, lastimando os "pobres tugas" ainda a zero. Great score: twenty-seven, null. Could it be rugby? Oh dear... no! That's life!
--- § ---
Resumindo e concluindo: até às 10 semanas o aborto pode e deve ser permitido, à-vontadex, porque estamos perante um monte de células desalmadas, ou seja, sem alma. Ao fazer 10 semanas, supostamente à meia-noite, já o aborto não pode ser feito porque entetanto chegou a alma e com a alma não se brinca uma vez que tem de ser conservada em bom estado para futuras reencarnações.
Aspectos práticos e organizativos daqui decorrentes: o serviço nacional de saúde deverá reforçar as equipas dos ESDA's (estabelecimentos de saúde devidamente autorizados) para os turnos de serviço até à meia-noite, já que os que vierem rendê-los encontrarão as coisas mais "calmas".
'Bora lá MIC, 'bora lá J.S. e Bloco de Esquerda! Toca a actualizar os argumentários do "sim" com este extraordinário contributo gnostico-filosófico para a "sustentabilidade" do vosso edifício demagóg.., digo, ideológico.
(ufa! Estava a ver que acabava este texto tão "in", tão "à frente", e não conseguia cá encaixar ao menos um "sustentabilidade"...)
quinta-feira, janeiro 11, 2007
SIMzices - teologia abortista 1
«A historiadora Fina d`Armada, defensora do «sim» no referendo ao aborto, citou hoje a Bíblia para garantir que «Deus atribui um mero valor pecuniário ao feto e deixa claro que a vida da mãe é mais importante», noticia a Lusa.
http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?div_id=&id=755732
Versão integral, não integrista (esperemos que não entrem já por aí os Califas da nova... "teologia"):
http://micportugal.org/index.htm?no=2200341
"os deuses devem estar loucos", ou antes, os abortistas!... Como no passado o tentador insinuava: "se és Deus, atira-te deste precipício que os anjos te hão-de socorrer", hoje diz: "se és crente e segues o Deus de Moisés, tens de aceitar a letra do livro, que uma vida equivale a um punhado de moedas... "
Já agora quantas seriam? Trinta dinheiros?...
Bom, a filósofa que pregou tal boa(?)-nova não é uma sujeita qualquer armada em fina, é ela própria Fina d`Armada, vencedora em 2005 do Prémio Mulher Investigação Carolina Michaelis Vasconcelos.
Será...
Os júris, esses sim, devem estar loucos!
Luís Botelho Ribeiro
reclamação junto do Provedor do Telespectador da RTP
Considero injusta e inaceitável a anunciada decisão de deslocar para fora do horário nobre o tempo de antena reservado aos movimentos cívicos constituídos para o próximo referendo ao Aborto.
A missão do serviço público de televisão, a que está vinculada a RTP, é contribuir para o importante debate público que aí vem e abrir espaços à participação dos cidadãos com dignidade consentânea com a importância da decisão que vamos ser chamados a tomar.
Não fazer isto e permitir, como já tem acontecido, que o Governo e os partidos fiquem a falar sós no telejornal, com os movimentos cívicos "apertados a um canto", não deixará de ser interpretado pelos cidadãos como uma evidência mais da falta de pluralismo na democracia portuguesa e, em concreto, na televisão pública.
Como cidadão contribuinte, é meu direito exigir que a RTP reconsidere a sua decisão e atenda o clamor da sociedade civil. Não aceitamos que a RTP mude as regras em relação aos últimos referendos realizados - a cobertura noticiosa das campanhas eleitorais está regulada na Lei e na parte omissa deve prevalecer a jurisprudência feita nos dois referendos anteriores onde uma tão escandalosa posição não foi ousada pela televisão que, até informação em contrário, é "de todos e de cada um" dos portugueses.
Atentamente,
Luís Botelho Ribeiro
(Mandatário do movimento cívico "Minho com Vida", apoiado por trinta e três mil cidadãos portugueses)
mensagem enviada para o provedor do telespectador acessível em:
http://www.rtp.pt/wportal/grupo/provedor_telespectador/
quarta-feira, janeiro 10, 2007
análise do relatório APF / Consulmark sobre o aborto em Portugal
Passemos a elencar apenas alguns:
- pág. 11 são consideradas duas bases: 1) as mulheres de 18 aos 49 anos e 2) as mulheres de 18 aos 49 anos que já engravidaram, sendo este um subconjunto do anterior, as percentagens relativas a esta base hão-de ser superiores. Não se compreende então que o estudo apresente uma estimativa para as viúvas que já abortaram de 26,8% relativamente à primeira base, bem superior à percentagem de 10,4% relativamente à segunda base supostamente considerada. O estudo parece pouco criterioso, pelo menos neste ponto. Que confiança podemos atribuir então aos restantes números?
- pág.13 se 2,5% das mulheres tivessem feito aborto repetido, então extrapolando para a população inteira (5.174.280 de mulheres, dados de 1998) teriamos então 129.357 mulheres que contrariam a argumento pró-aborto de que "nenhuma mulher praticará um aborto levianamente"; pelo menos será isso que se poderá dizer das 5.174 mulheres que supostamente teriam abortado 4 ou mais vezes, as quais dariam assim um claro sinal de encarar o aborto como um vulgar método contraceptivo; perante estes números, faremos à dignidade das mulheres portuguesas a justiça de considerar que os números não poderão deixar de estar empolados.
- pág. 17 deixando de lado os 2,5% casos "não se recorda", verifica-se que 26% dos abortos terão sido praticados para além das 10 semanas, o que é indicativo de que, admitindo o total (possivelmente muito empolado pela A.P.F.) de 17000 abortos/ano, continuarão a realizar-se 4.337 abortos clandestinos por ano em Portugal, mesmo com a vitória do "sim". A única solução para acabar com "os julgamentos e a humilhação", na óptica abortista, parece ser então alargar os prazos do aborto livre para mais de 30 semanas! Basta fazer algumas contas muito simples a partir da distribuição de percentagens dadas no relatório cujo "fitting" a uma progressão geométrica semanal de razão 0,87 é bastante exacto.
- pág. 18 verifica-se que 48,1% das mulheres deram como razão para o primeiro aborto o facto de não estarem a utilizar qualquer método contraceptivo; mas 46% de todas as inquiridas possuiam instrução secundária ou superior, não devendo por isso ser aqui invocada como razão a falta de informação ou cultura; Então, mesmo admitindo que as restantes 54% com instrução básica pudessem não estar suficientemente informadas (o que é tudo menos líquido), o aborto surge efectivamente como o primeiro método contraceptivo em pelo menos 22% das situações. É aceitável a generalização desta realidade com o aborto liberalizado?
- pág. 23 à questão "como é que avalia o local onde fez o aborto (suposto clandestino)" quanto a higiene, privacidade, conforto, localização, acolhimento, numa escala de 1 (muito negativo) a 4 (muito positivo), as classificações são de 3,44 - 3,39 - 3,29 - 3,22 e 3, 31, por aquela ordem. Isto significa que elas classificam massivamente as condições dos locais entre o positivo e o muito positivo; perde portanto consistência o chavão do "aborto em vão de escada em condições de higiene muito deficientes" que os pró-aborto apresentam como uma das grandes razões para a tentativa de liberalização do aborto. Esta indicação aparece confirmada na pág. 26 pela percentagem de 45% de médicos e 30,6% de parteiras, quando se pergunta pela classe profissional que realizou o aborto. A percentagem de "outro"ou "não sabe" reduz-se a 11,3%. Tudo isto contraria irremediavelmente as perspectivas de "melhoria das condições em que é realizado o aborto", apresentadas como grandes bandeiras pelo "sim".
Enfim, ainda só vamos na página 26 de um total de 45 e já podemos dizer tudo o que acima fica expresso. Deixo a outros a análise das últimas 20, que vistas de relance me pareceram igualmente significativas.
Estas primeiras me bastam para tirar já uma importante conclusão:
Se as condições já são hoje classificadas pelas próprias "utentes" entre o "positivo" e o "muito positivo" e se também não parece haver condições para acabar com os casos em tribunal sem que o prazo do aborto se alargue até mais de 30 semanas, então a única consequência real da liberalização do aborto será... que ele passe a ser pago por todos nós e não pelos e pelas interessadas, 48% das quais, conforme indica o estudo, nem sequer estão a tomar qualquer contraceptivo, conforme revela o estudo!!! Ou seja, apenas se dá uma mudança do pagador, assumindo o contribuinte em geral a responsabilidade pela... irresponsabilidade de algumas e alguns!
Luís Botelho Ribeiro
